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Dinheiro: bênção ou maldição?

Qual é a identidade do dinheiro em sua essência? Como podemos considerar esse tema: ele é mau em si mesmo ou é bom em sua natureza? Como podemos classificá-lo quanto à sua origem? Será o dinheiro apenas uma coisa neutra? Essas são questões que mexem na axiologia do assunto.

Muitas pessoas dizem que o dinheiro é bom. Elas afirmam categoricamente que não há nada de errado com o dinheiro em si. Que o problema é o ser humano governado pela cobiça. O dinheiro é uma coisa boa que, eventualmente, pode ter um mau uso. Há um outro grupo que não vê qualidades intrínsecas no dinheiro. Eles acreditam que o sistema monetário é um lance indiferente em seu valor essencial, isto é: nem mau nem bom. Tudo depende de como se usa o dinheiro. Não existe dinheiro ruim nem dinheiro bom. Existe sim, gente que faz uso adequado ou inadequado do dinheiro.

Outros, porém, consideram o dinheiro um mal necessário. Dizem que ele é mau em sua origem, mas necessário nesse mundo. Afirmam que não há dinheiro bom em si mesmo, tão pouco, neutro. A raiz do dinheiro é de fato má, por isso, ele traz em sua natureza uma influência maléfica, ainda que possa ser usado de um modo acertado do ponto de vista moral. Alguns estudiosos do assunto dizem que abordar esse tópico da essência filosófica do dinheiro é típico de cara utópico. Mas não são tão ilusórias assim essas considerações sobre o tema. Jesus mostra que a origem das riquezas, na verdade, é injusta. "E Eu vos recomendo: das riquezas de origem iníqua fazei amigos; para que, quando aquelas vos faltarem, esses amigos vos recebam nos tabernáculos eternos". Lucas 16:9.

Ora, se os nossos primeiros pais não tivessem pecado no jardim do Éden, não haveria necessidade de alguém acumular patrimônio. O imperativo da abastança e a urgência em armazenar passam a existir na história da raça humana, em razão do desabastecimento da confiança em Deus. O medo da privação acaba fomentando o acúmulo de bens. Sendo assim, a riqueza é um produto do pavor pecaminoso. O pano de fundo das riquezas é o receio da escassez e a falta de confiança na soberania Divina.

Segundo Jesus a raiz das riquezas é de procedência injusta, ainda que uma riqueza qualquer não tenha sido amontoada em decorrência de injustiça. Isso quer dizer que, se não houvesse pecado, não haveria acumulação de bens pessoais e que todos teriam as mesmas coisas de modo compensado. Haveria uma eqüidade comunitária na repartição. Creio que o pecado atingiu, em cheio e radicalmente, todos os recursos humanos e que não há nenhuma atividade dessa raça isenta de contaminação soberba. No âmago de qualquer expediente e em qualquer sujeito podem-se encontrar os sintomas da teomania que foi inoculada pelo discurso da serpente. Com isso, podemos afirmar que o dinheiro é uma criação eivada de desejos egoístas.

Sou daqueles que entendem ser o dinheiro um mal necessário. Não vejo neutralidade e muito menos bondade essencial nele. A sua origem é injusta e as suas sugestões estão freqüentemente viciadas pelas ambições mais interesseiras de uma espécie dominada pela grandeza, por isso, Jesus mostrou como é difícil ser honesto na administração do dinheiro. "Se, pois, não vos tornastes fiéis na aplicação das riquezas de origem injusta, quem vos confiará a verdadeira riqueza?". Lucas 16:11.

Jesus aqui discursa sobre duas riquezas: aquela que vem de uma linhagem injusta e a verdadeira riqueza. Uma é carnal, enquanto a outra é espiritual. De acordo com Jesus, se não soubermos administrar a riqueza de raiz iníqua, Deus não nos conferirá a verdadeira riqueza de procedência espiritual. Saber gerir apropriadamente o patrimônio terreno é uma habilidade rara para os habitantes deste planeta. De modo geral, as pessoas são escravas do dinheiro. Poucas são aquelas que conseguem governar com sabedoria a fortuna, grande ou pequena, que se encontra sob seu encargo. A maioria, quando tem alguma riqueza, ou a esbanja num consumismo descomedido, ou a acumula cada vez mais no seu pão-durismo. Nesse caso, "o dinheiro é como a água do mar; quanto mais uma pessoa bebe, mais sede sente".

Além de ser injusta a origem da riqueza, como ensina Jesus, segundo Paulo, o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. Ele não está dizendo que o dinheiro é a causa de todos os problemas, mas que o amor ao dinheiro é o radical maligno que desvirtua os relacionamentos humanos. Por trás dos desacertos pessoais e das encrencas sociais, a miúdo, topamos com os ardis desse amor avarento. Samuel Chadwick disse: "o amor ao dinheiro é para a igreja um mal maior do que a soma de todos os outros males do mundo"".

A história eclesiástica tem sido maculada com as tintas violentas da cobiça. Vemos com freqüência o governo das igrejas sofrendo com a influência desastrosa desse amor ao dinheiro. Por trás de muitos discursos devotos podemos perceber a dissimulação dos desejos que ambicionam as recompensas monetárias. Porém, como dizia Roger L’Estrange, "aquele que serve a Deus por dinheiro servirá ao diabo por salário melhor".

O dinheiro não é uma ferramenta passiva. Ele é uma coisa que ganha poder de um personagem e obtém domínio sobre as pessoas. No tronco do dinheiro existe um troco emocional que o eleva à condição de dominador. Se alguma pessoa serve a alguém por causa do dinheiro, o seu serviço acaba se tornando dependente deste déspota. Jesus mostra que as riquezas podem ser equiparadas a um deus, quando disse: "Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas". Lucas 16:13. Segundo Jesus, as riquezas aqui acabam tomando a categoria senhoril de deus, podendo exercer autoridade total na vida das pessoas.

Quando uma coisa governa uma pessoa, essa coisa fica içada à hierarquia idólatra da divindade. A idolatria se caracteriza pela divinização da criatura em lugar do Criador. Qualquer entidade, menor que o Deus absoluto, assumindo a condição de comando na vida de uma pessoa inteligente, se constitui numa expressão grosseira de idolatria.

Idolatria é qualquer coisa criada tomando o lugar de Deus. Quando um ser humano se entrega a alguém que não seja Cristo ou confia em algo que não seja eterno, ele se envolve diretamente no esquema infernal da idolatria. ""Um deus fabricado não é Deus"". Confiar em dinheiro é a divinização da coisa ou a “coisificação” da Divindade. Idolatria é qualquer coisa merecendo confiança. Quando confiamos no dinheiro estamos de fato prestando culto a um tirano que retira de nós o exercício da verdadeira fé.

Ninguém pode servir a dois soberanos. Se você serve a Deus não pode servir ao dinheiro. Se você serve ao dinheiro, jamais poderá dedicar-se a Deus. Foi William Penn quem disse: "os homens precisam escolher ser governados por Deus ou estarão condenados a ser governados por tiranos". Tirano à parte, o dinheiro vive tirando a gente do sério. Mas o dinheiro pode ser um servo útil no reino de Deus, se for gerido por alguém que serve a Jesus. Se o dinheiro é servo de um servo de Cristo, então serve para o serviço de Deus. Francis Bacon dizia que "dinheiro é como esterco: só é bom se for espalhado".

Thomas Manton afirmava que "não existe defeito que limite e mate mais efetivamente os sentimentos, que torne as afeições do homem mais completamente centralizadas em si mesmo, excluindo todos os outros de participar delas, do que o desejo de acumular bens". Por este motivo Jesus adverte: "Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo". Lucas 14:33.

A prosperidade, o prestígio e o poder são mais ameaçadores para o incremento da vida cristã do que a falta de posse, o desprestígio e a fraqueza. A soberba da riqueza é muito mais perigosa do que o colapso da pobreza. Isso não significa que a riqueza seja incompatível com a vida espiritual autêntica, mas nela corre-se mais risco de auto-suficiência do que nos limites da necessidade. A autonomia humana é o extermínio da confiança em Deus. Por isso, um sujeito independente de Deus é alguém insuportável.

Além disso, nenhuma pessoa salva pela graça se comporta como se fosse proprietário de algum bem nesse mundo. De fato, os crentes em Cristo são mordomos e despenseiros das riquezas divinas. Ninguém é dono de coisa alguma no mundo. "Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele"". 1 Timóteo 6:7. A Bíblia mostra, também, como aqueles que ambicionam tornarem-se ricos estão sujeitos às emboscadas mais terríveis. A cobiça e a inveja têm sufocado mais gente na insatisfação e na censura do que aqueles que morreram afogados no dilúvio de Noé. "Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição". 1 Timóteo 6:9.

O maior patrimônio que alguém pode ter nesse mundo é o contentamento. Uma vida vivida com satisfação em qualquer conjuntura é algo extraordinário. Paulo se matriculou na escola do regozijo e aprendeu uma das mais belas lições da sua vida. "Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez". Filipenses 4:11-12. É uma festa a companhia de alguém contente!

O dinheiro pode ser bênção ou maldição. Tudo depende do modo como nos relacionamos com ele. Se ele for senhor, nós seremos seus escravos. Nesse caso estamos em maus lençóis. Se ele for um meio a serviço de gente contente, então ele pode se constituir em bênção. "Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes". 1 Timóteo 6:8. Precisamos aprender a nos contentar com o que temos, bem como aprender a repartir o que temos. Se Deus nos tem permitido administrar uma fatia maior do bolo, devemos nos dispor a participar com aquele que se encontra em condição insuficiente. "Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é mister socorrer os necessitados e recordar as palavras do próprio Senhor Jesus: "Mais bem-aventurado é dar que receber". Atos 20:35.

Além disso, a escola do contentamento cristão nos ensina a celebrar com aquele que tem uma porção maior do que a nossa para administrar. Aqui muita gente fica reprovada, pois é mais fácil compartilhar com aquele que tem falta, do que partilhar da alegria daquele que tem mais do que nós. Com freqüência preferimos ajudar o pobre, exibindo nossa generosidade, do que comemorar o êxito daquele que nos supera na contabilidade.

Na academia do contentamento temos três lições básicas relativas ao uso do dinheiro: A nossa satisfação pessoal em qualquer situação; a alegria de compartilhar com o carente, bem como investir no reino de Deus; e a comemoração pelo êxito daquele que nos supera na supervisão do patrimônio. Você já se matriculou nesse curso?

Glenio Fonseca Paranaguá é psicólogo e pastor titular da I Igreja Batista em Londrina, Paraná.